terça-feira, 14 de outubro de 2008

A primeira semana do Sínodo

Seis temas centrais do Sínodo da Palavra

Balanço após a primeira semana


Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 13 de outubro de 2008 (zenit.org/).- Depois das 191 intervenções preparadas e lidas e de 99 intervenções livres, que ressoaram entre os dias 6 e 13 de outubro na sala do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra, seis temas receberam um interesse particular. Não são os únicos, mas são alguns dos mais mencionados.

1. A Palavra não é a Bíblia

O Sínodo começou esclarecendo um mal-entendido comum entre muitos crentes: como explicou em sua relação antes do debate o cardeal Marc Ouellet, P.S.S., arcebispo de Québec, a Palavra não é um simples texto escrito, é o próprio amor de Deus feito homem em Cristo.

Portanto, a Palavra é muito mais que a Bíblia. De fato, o Novo Testamento nasce no seio da Igreja nascente e implica portanto a Tradição e a interpretação do Magistério.

Entre os dias 7 e 8 de outubro, numerosas intervenções dos padres sinodais insistiram neste esclarecimento.

Os próprios padres afirmaram que este Sínodo não busca reescrever a constituição dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, que já explica estas questões doutrinais. Portanto, não é um sínodo doutrinal (ainda que recorde verdades do magistério), mas sobretudo pastoral.

Outras questões, como a inspiração dos autores bíblicos, não foram discutidas, portanto, diretamente; vários padres sinodais pediram um documento da Santa Sé sobre a interpretação das Sagradas Escrituras e inclusive se propôs que tenha caráter de texto papal, em forma de encíclica.

2. Pregar com o exemplo: o problema das homilias

A preocupação pelo nível das homilias em geral se repetiu constantemente na primeira semana do sínodo (cf. Zenit, 7 de outubro de 2008).

Por um lado, o sínodo está oferecendo soluções concretas para este problema, ao qual se chegou a atribuir o abandono da Igreja por parte dos fiéis.

Vários bispos pediram um “diretório homilético”, como já existe um “diretório para a catequese”, com indicações práticas sobre a pregação.

Neste sentido, o cardeal Angelo Scola, patriarca de Veneza, relator do Sínodo de 2005 sobre a Eucaristia, confirmou que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos está preparando um subsídio com material para as homilias temáticas que possa servir de ajuda para os sacerdotes ao preparar a pregação. Não é um manual de pregação.

Numerosos bispos insistiram também na necessidade de que os seminaristas e sacerdotes não somente estudem a Bíblia, mas que aprendam a saboreá-la, meditando-a, como fez nesta segunda-feira o cardeal Agostino Vallini, vigário do Papa para a diocese de Roma.

Pois bem, muitos bispos, particularmente nas intervenções livres, explicaram que a homilia não é só questão de formação retórica ou acadêmica.

Citou-se várias vezes as famosas palavras de Paulo VI, quando dizia que o mundo escuta os professores, mas segue as testemunhas. Se a palavra do pregador não é acompanhada pela vida, perde toda a sua credibilidade, constatou-se.

Neste sentido, recordou-se também a expressão de Bento XVI quando explica que a Palavra não é só “informativa”, mas “performativa”, isto é, deve modelar a vida de uma pessoa.

3. A "lectio divina"

Talvez um dos termos mais repetidos esta semana tenha sido “lectio divina”. A meditação orante da palavra de Deus, particularmente em comunidade (existem diferentes metodologias, como os 7 passos para compartilhar o Evangelho), parece converter-se na proposta que os participantes deste sínodo querem fazer a cada paróquia.

Pode-se dizer, portanto, que a eficácia prática deste sínodo poderá ser medida dentro de 10 anos segundo a extensão desta prática, que foi impulsionada desde o início do seu pontificado por Bento XVI.

4. Antigo Testamento

Vários padres constataram a dificuldade que os católicos têm para ler e meditar sobre o Antigo Testamento. Deste modo, não podem gozar em plenitude da revelação divina. Este fenômeno se agrava em alguns ambientes por outros dois fenômenos.

No caso das Igrejas Orientais, como explicou Dom Kidane Yebio, de Keren (Eritréia), na sagrada liturgia praticamente nunca se lêem passagens do Antigo Testamento.

No caso dos cristãos do Oriente Médio, por causa do conflito entre israelitas e palestinos e de interpretações sionistas da Bíblia, rejeitam a leitura ou meditação do Antigo Testamento.

Este grave fenômeno foi constatado em particular por 2 patriarcas: Sua Beatitude Fouad Twal, patriarca de Jerusalém dos Latinos, e Sua Beatitude Grégoire III Laham, B.S., patriarca de Antioquia dos Greco-Melquitas (Síria). Este último explicou, como exemplo, que em uma celebração litúrgica, um fiel havia trocado a expressão bíblica “Povo de Israel” por “Povo da Palestina”.

5. Exegese

Nos primeiros dias do Sínodo, foram numerosas as exposições de bispos nas que constatavam como uma exegese acadêmica da Bíblia levava às vezes a duvidar da historicidade mesma de Cristo ou de que a Escritura seja um texto revelado.

Este leitura sem fé do texto revelado teria levado católicos a buscarem uma interpretação de fé em grupos protestantes. Ainda que este tema preocupa profundamente o Sínodo, a assembléia também sublinhou a importância da contribuição da exegese para a compreensão da Palavra.

Na relação de abertura, o cardeal Ouellet propôs aos exegetas e biblistas uma visão de fé e de escuta do espírito, superando assim, desde o início, um debate não necessário. Fé e ciência bíblica não estão em conflito – insistiram os bispos.

6. Traduções e distribuição da Bíblia

O tema foi apresentado à assembléia por Dom Louis Pelâtre, vigário apostólico de Istambul (Turquia), quem constatou que em muitas línguas locais ainda não se havia traduzido a Bíblia.

Quando estas populações minoritárias são pobres, tampouco existem recursos para imprimir e distribuir bíblias a preços acessíveis.

Foram numerosas as intervenções de bispos africanos, latino-americanos e asiáticos para pedir que se crie um organismo na Igreja Católica que ajude em todos os sentidos a resolver este grave problema, também do ponto de vista econômico.

Ambiente

Desde que se restabeleceu a prática de convocar o Sínodo dos Bispos, após o Concílio Vaticano II, esta assembléia é talvez a mais serena, sinal de uma nova unidade encontrada na Igreja depois de várias divisões de décadas passadas. Assim o constatava, por exemplo, o cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa, nesta segunda-feira.

A este ambiente de unidade contribuiu o tema escolhido por Bento XVI, “a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, tema que toca o coração de cada um dos presentes.

***

Saudações,

Roguemos a Deus para que este providencial sínodo sobre a Palavra de Deus possa produzir muitos frutos na vinha do Senhor que é a Santa Madre Igreja. Peçamos a Deus também que a Palavra de Deus possa também trazer operários para cultivar esses novos frutos. Oremos também por aqueles que ainda "levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si através de uma interpretação equivocada da Sagrada Escritura.

Fiquem com Deus

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Direto do MDV (Movimento em Defesa da Vida)

Como deve ser do conhecimento de todos, está em pauta para julgamento no Supremo Tribunal Federal a ADPF 54 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), que busca legalizar o aborto (sob a designação equívoca de 'antecipação terapêutica do parto') no caso de fetos anencefálicos.

Criamos um link que recolhe assinaturas online a favor da vida e da dignidade da pessoa humana, independentemente da idade e doença que tenha Basta clicar no link abaixo, colocar seu nome, email e país.

http://www.PetitionOnline.com/DAV2008/

É rápido; não sejamos omissos!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

São Bernardo de Claraval

Saudações

Recebi esse e-mail de minha amiga Michelle Oliveira e gostaria de partilhar com o amigo leitor:

***

Hoje é dia de S. Bernardo e por isso dispensemos um pouquinho de tempo para deleite nessa verdadeira "declaração de amor" dele.

Ainda que muitos possam não o conhecer, creio q todos nós, sem excessão, que já paramos um pouco para pensar na vida de Maria, tenhamos chegado às mesmas conclusões dessa reflexão, ainda q em outras palavras e ainda q tanto tempo depois dele.

Impossível não perceber de onde lhe vinha o exemplo que dava força e coragem para seguir em frente, trabalhando pela Verdade, a Justiça, pela contrução do Reino de Deus, já aqui na Terra:

Aos 23 anos decide ser monge, mesmo contra seu pai e seus 6 irmãos, os quais ele conseguiu convencer não só de aceitar sua decisão, como também os levou consigo e mais 23 homens, entre primos e amigos, que se somaram aos apenas 20 membros do Mosteiro. Fundou sozinho mais 68 mosteiros e mais de 700 religiosos professaram os votos em suas mãos.

Pregador, místico, escritor, fundador de mosteiros, abade, conselheiro de papas, reis, bispos e também polemista político e tenaz pacificador. Nada conseguia abater ou afetar sua fé, imprimindo sua marca na história da espiritualidade Católica Romana
.

Hoje, 855 anos depois de sua morte, podemos nos lembrar dele todos os dias, ao rezar a SALVE, já que é a ele que devemos os 3 últimos brados dessa oração, nos quais ele se curvava ao proclamar cada um: "Ó Clemente! Ó Piedosa! Ó Doce e sempre Virgem, Maria!" (além de ter sido um dos primeiros a chamar a Virgem Maria de "Nossa Senhora").

***

“E o nome da Virgem era Maria” (Lc 1,27)

Detenhamo-nos um tempo considerando esse nome, que, diz-se, significa Estrela do Mar e que convém perfeitamente à Virgem Mãe.

Nada mais justo do que compará-la a um astro que emite seus raios sem ser alterado em si mesmo, assim como a Virgem dá à luz seu Filho sem lesão nenhuma em seu corpo.
O raio nada tira da luminosidade de seu astro, e o nascimento do Filho não diminui a integridade da Virgem.
Ela é, portanto, essa magnífica estrela de Jacó, cujos raios iluminam o universo inteiro, iluminam o céu e penetram até os infernos.
A Virgem, brilhando sobre toda a Terra aquece as almas mais do que os corpos, favorece o crescimento das virtudes e destrói os vícios.
Ela é verdadeiramente essa estrela a mais bela que devia se levantar necessariamente acima do mar imenso toda brilhante de méritos e de exemplos esclarecedores.

Ó tu, quem quer que sejas, se compreendes que tua vida, mais do que uma viagem em terra firme, é uma navegação entre as tempestades e os furacões, sobre as ondas movediças do tempo, não tires os olhos da luz dessa estrela, a fim de evitar o naufrágio.

Quando te assaltarem os ventos das tentações, quando vires aparecer os escolhos da desgraça, olha para a estrela, invoca a Maria.
Se és sacudido pelas ondas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.
Se a cólera, a avareza, as seduções carnais vierem sacudir a leve barca de tua alma, levanta os teus olhos, olha para Maria.
Se, perturbado pela lembrança atroz de teus crimes, envergonhado pela vista da imundice de tua consciência, aterrorizado pela ameaça do juízo de Deus, começas a submergir no remoinho da tristeza e no abismo do desespero, pensa em Maria.
Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca a Maria.

Que seu nome nunca deixe teus lábios, jamais deixe o teu coração.
E, para obter o socorro de sua intercessão, não te afastes do exemplo de sua vida: Seguindo-a, não te perderás; suplicando-a, não conhecerás desespero; pensando nela, evitarás todo erro.
Se Ela te sustenta, não naufragarás.
Se Ela te protege, nada terás a temer.
Se Ela te conduz, não te cansarás.
Se Ela te for favorável, alcançarás o objetivo.
E assim saberás por tua própria experiência tudo o que significam essas palavras: ‘E o nome da Virgem era Maria’.

São Bernardo, rogai por nós!

sábado, 2 de agosto de 2008

Obrigado Marcela!


Saudações,

Eu não poderia deixar passar em branco o dia de hoje, quando soube do falecimento da menina Marcela de Jesus Ferreira (foto ao lado), que ficou conhecida por ter nascido anencéfala (sem cérebro) e mesmo assim superou todas as expectativas médicas.

Marcela, sem saber absolutamente de nada, cumpriu uma missão maravilhosa: a de mostrar àqueles que são sedentos por tirar a vida dos inocentes que existe vida mesmo sem cerébro.

Portanto, um bebê anencéfalo é uma vida assim como um embrião é uma vida. Me lembro agora do argumento falacioso do Excelentissímo Ministro do STF Carlos Ayres de Brito que bradou aos quatro ventos que "Se não existe cérebro, não existe vida!". Acredito a menina Marcela foi ignorada pelo magistrado.

Sinto uma profunda alegria por ter acompanhado, mesmo que de longe, a batalha que esta garotinha travou para desfrutar o dom maravilhoso da vida no esplendor de sua inocência. Sou grato a Dona Cacilda, mãe de Marcela, que decidiu levar a gestação até o final mesmo estando ciente que sua filha teria "poucas horas de vida" e claro, sou grato a Deus que mostrou mais uma vez quem tem o poder de dar e tirar a vida.

"Ela viveu o tempo dela e o tempo de Deus. Estou em paz porque sei que o meu dever foi cumprido" (Dona Cacilda, mãe da menina Marcela de Jesus Ferreira)

Obrigado Marcela!

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Todo joelho se dobre...

Saudações,

Neste ultimo final de semana (14 e 15 de Junho) o Papa Bento XVI realizou sua décima viagem pastoral dentro do terrítório italiano e visitou Santa Maria di Leuca e Bríndisi.

No domingo o Sumo Pontífice presidiu a Santa Missa e distribuiu a Sagrada Comunhão ao fiéis ajoelhados. Tal atitude chamou a atenção da mídia que além de fazer um estardalhaço, sequer teve o cuidado de transmitir a noticia com fidelidade. Mas penso que nesse aspecto eu estou querendo demais quando falo de uma mídia laica, cujo único assunto que aborda sem nenhum conhecimento prévio são os relacionados a Igreja Católica Apostólica Romana.

A Agência France Press noticiou o fato com a manchete “Bento XVI recupera a comunhão de joelhos” (Leia na integra aqui) e já começa o artigo com um erro noticiar que a “recuperação” da comunhão de joelhos ocorre “Depois de recuperar a missa tridentina em latim”. Aqui mesmo no Ecclesia Sancta já abordei esse assunto no artigo “A volta dos que não foram” esclarecendo que era um erro tratar a utilização livre – sem prévia autorização do bispo – do rito de São Pio V como um ato de recuperação já que este nunca esteve perdido.

Sobre o Santo Padre distribuir a comunhão para fiéis ajoelhados a France Press diz que “A recuperação aconteceu durante uma missa ao ar livre oficiada pelo Papa em Brindisi (sul da Itália) diante de 60.000 pessoas.” que “A partir de agora, os fiéis escolhidos para receber a comunhão do Papa devem se ajoelhar diante do Sumo Pontífice em um reclinatório e receber a hóstia diretamente na boca.” e que “A genuflexão nunca esteve proibida, mas ficou reservada às paróquias mais tradicionalistas.” e aqui cabe alguns esclarecimentos muito objetivos:

1º - A Santa Madre Igreja sempre deu ao fiel a opção de comungar de joelhos ou de pé. “Os fiéis comunguem de joelhos ou de pé”, é o que diz a Instrução Redemptionis Sacramentum de março de 2004. Embora ignorada por parte do clero, a instrução nos ajuda a concluir que o Santo Padre não recuperou absolutamente nada;

2º - Deve se ajoelhar para receber a Sagrada Comunhão todo aquele que assim desejar independente de estar diante do Sumo Pontífice. Se o fiel estiver na capelinha do sertão de Pernambuco quiser receber a comunhão de joelhos das mãos do Padre Epaminondas, ele tem total liberdade;

3º - O emprego do termo « tradicionalistas » me causa arrepios e a genuflexão não ficou reservada a ninguém.

Para finalizar, aí vai uma demonstração clara de que a imprensa não se informa sobre o que ensina a Igreja Católica. A France Press “esclarece” a seus leitores que a hóstia é “um pedaço de pão sem lêvedo que representa o “corpo de Cristo””. Aos meus leitores eu reforço que esse pedaço de pão sem levedo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Fiquem com Deus!

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Pedidos dos filhos

por Dom Orlando Brandes - Arcebispo de Londrina

Os filhos pedem a seus pais e educadores vinte solicitações.

1. Não tenham medo de ser firmes comigo. Sua firmeza me dá segurança.

2. Não me tratem com excesso de mimo. Nem tudo o que eu peço me convém.

3. Não me corrijam na frente de outras pessoas. Isso me revolta.

4. Não permitam que eu forme maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo e o que é errado.

5. Não façam promessas apressadas. Sinto-me mal quando as promessas não são cumpridas.

6. Não me sufoquem com suas preocupações. Eu também preciso aprender com o sofrimento e com os erros.

7. Não sejam falsos comigo. A falsidade faz eu perder a fé em vocês.

8. Não me incomodem com ninharias. Irei fazer-me de surdo.

9. Não dêem a impressão de serem perfeitos, infalíveis. O choque será muito grande quando eu descobrir seus defeitos.

10. Não deixem sem respostas minhas perguntas. Do contrário, deixarei de fazê-las e buscarei informações em outros lugares.

11. Não se sintam humilhados ao ter que pedir desculpas. O perdão me aproxima de vocês.

12. Não digam que minhas preocupações e problemas são tolices. Tentem compreender-me. Ficarei mais sereno.

13. Não esqueçam que estou crescendo e mudando rapidamente. Tentem acertar o passo comigo.

14. Não me comprem presentes. O melhor presente é a presença de vocês. Com vocês sinto-me seguro, forte, amado.

15. Acolham-me desde a fecundação, alimentem-me com aleitamento materno, dêem-me colo, toquem-me porque preciso de tudo isto para crescer saudável e equilibrado.

16. Preciso de um pai forte e amigo, de uma mãe equilibrada e feliz. Seu jeito de ser é que fica marcado em mim. Poderei esquecer suas palavras, não esquecerei seus gestos.

17. Não imponham nem direcionem minha profissão e vocação. Podem aconselhar-me, mostrar-me suas razões, mas deixem-me a liberdade de escolher.

18. Se vocês se amam eu me sinto amado por vocês. Se vocês brigam, não dialogam, não se perdoam, eu me sinto um órfão de pais vivos.

19. Porque vocês foram fracos no bem, eu agora sou forte no mal. Se vocês são pais despreparados eu cresço desequilibrado.

20. Se vocês não me elogiarem, se me castigarem injustamente, se não me ensinarem a rezar, se satisfizerem todos os meus desejos, vocês estragam minha vida.


Os filhos aprendem imitando. Daí a necessidade do casal se querer bem e dar bom exemplo. Dizia um filho aos pais: "peço que vocês me amem quando eu não mereço, porque é aí que eu mais preciso ser amado." Nada disso é fácil. O nascimento dos filhos traz grandes mudanças na família. Os cônjuges esquecem de ser esposos, trocam os papeis, e começam a ser somente pais. Apegar-se aos filhos e esquecer o cônjuge é um perigo. O primeiro amor na família é sempre o amor conjugal, depois o amor filial.

Além disso, temos pais agressivos e pais permissivos, mas precisamos de pai e mãe participativos. Os pais apegados aos filhos sofrem demais quando eles devem deixar o lar. Os desequilíbrios dos filhos levam ao desajuste do casal e vice-versa. Os pais conscientes tratam os filhos conforme a idade que eles têm. É preciso saber mudar de marcha. Pais ajustados, filhos equilibrados.

Um filho escreveu para seus pais: "Eu sou forte no mal porque vocês foram fracos no bem. Por isso estou preso". Os pais nunca podem abdicar do diálogo, devem estar abertos em buscar soluções e aceitar ajuda. Ninguém é infalível. Os pais aprendem com os filhos, mas devem sempre colocar limites e apresentar valores. Lares sem disciplina criam filhos folgados e onipotentes que se tornam delinqüentes. É a tirania dos filhos sobre os pais.

Temos hoje a "família filiarcal" que sucedeu à família matriarcal e depois à patriarcal. Filiarcalismo é fazer dos filhos pequenos deuses. Eles não ajudam em nada nos trabalhos da casa, deixam roupas sujas em cada canto, só comem o que querem, dominam os pais que se tornam seus escravos e reféns. Pais permissivos são mais prejudiciais que os autoritários.

Os filhos emitem sintomas que sinalizam a presença de problemas familiares. Quando os pais vão mal os filhos entram em ansiedade. Hoje a grande tentação é resolver as crises com o "divórcio fácil". É preciso crer nas soluções, na reorganização da família. O filho problema pode tornar-se o melhor. A ovelha negra se torna uma benção, quando recorremos a Deus, ao perdão, ao diálogo, à disciplina. Quem olha as soluções não cai nas acomodações. Os heróis se forjam nas carências e crises.

A arte de ser bons pais começa já no útero materno. A preparação para a missão de ser pai e mãe é assunto do namoro e noivado. Pais despreparados, filhos desequilibrados; pais ausentes, filhos delinqüentes; pais permissivos, filhos onipotentes; pais omissos, filhos rebeldes. Carregamos dentro de nós a criança que fomos no passado. Vale a pena investir no casal para que os filhos cresçam sadios, seguros e amorosos. A família é a esperança da sociedade e o futuro do mundo.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Há um ano, Pedro esteve aqui

Saudações,

Entre os dias 09 e 13 de maio de 2007, o Papa Bento XVI estivera no Brasil. Foram dias de intensa alegria ter em nosso meio o Sumo Pontífice que viera ao nosso país com um intuito: reforçar ao povo brasileiro e latino americano que Jesus Cristo é o Senhor. Veio anunciar que Cristo é a Verdade. A única Verdade capaz de libertar a humanidade das correntes do pecado, da escuridão moral e, por conseqüência, das injustiças promovidas pela desigualdade social.

Sim, é bem verdade que Bento XVI foi duro em suas palavras. Não se importou com as reações possíveis das autoridades, da mídia e da população adepta do “politicamente correto”.

Nesta época já era largamente debatido no país o tema do aborto. O Santo Padre, de modo sutil – e não menos firme – alertou o nosso presidente sobre este assunto logo no discurso de boas vindas: “Sei que a alma deste Povo, bem como de toda a América Latina, conserva valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados [...] durante a Conferência Geral do Episcopado, será reforçada tal identidade, ao promover o respeito pela vida, desde a sua concepção até o seu natural declínio, como exigência própria da natureza humana”. Durante os dias da visita de Bento XVI, o governo fez de tudo para que a discussão do aborto fosse deixada de lado, mas a imprensa tratou de manter o tema ficasse no olho do furacão e contribuiu para a troca de farpas entre autoridades políticas e eclesiásticas.

Se é verdade que o Papa foi duro, também é verdade que o Santo Padre revelou ao povo quem ele verdadeiramente é. Os clichês impostos pela mídia caíram por terra diante às inúmeras demonstrações de afeto que Bento XVI praticou durante todas as suas aparições públicas.

Gostaria de partilhar com o amigo leitor, a forma como vivi esses dias da visita do Santo Padre ao Brasil:

A saudação na sacada do Mosteiro de São Bento

Quero confidenciar algo que se passou comigo durante a saudação do Santo Padre na sacada do Mosteiro de São Bento:

Estava eu saindo do trabalho, quando liguei o rádio para acompanhar as noticias sobre a chegada de Bento XVI à capital de São Paulo. Era por volta de 18hs10min quando o âncora do programa chamou um repórter que falava diretamente da Praça São Bento. Tão logo o repórter começou a falar sobre a chegada do Papa, ouvi que a multidão que o esperava entrou em êxtase. Era o Sumo Pontífice que surgia na sacada para saudar aos que os esperaram durante todo aquele dia frio e chuvoso. Eu caminha pela rua e quando ouvi a voz do Santo Padre, não consegui conter alegria que tomou meu coração e ali mesmo, na solidão da calçada, fui às lágrimas.

O Encontro com os Jovens

Os jovens brasileiros mereceram especial atenção de Bento XVI. No dia 10 de maio 40 mil jovens lotaram o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho para ouvir o Santo Padre que também esperava por esse momento: “Ontem pela tarde, ao sobrevoar o território brasileiro, pensava já neste nosso encontro no Estádio do Pacaembu, com o desejo de dar um grande abraço bem brasileiro a todos vós”. Eu estava lá, acompanhado por minha esposa e confesso até hoje não encontrar palavras para descrever esse momento magnífico, em que o Papa recordou que os mandamentos de Deus nos “conduzem à vida, o que equivale a dizer que eles nos garantem autenticidade. São as grandes balizas a nos apontarem o caminho certo. Quem observa os mandamentos está no caminho de Deus.” e que “Não basta conhecê-los. O testemunho vale mais que a ciência, ou seja, é a própria ciência aplicada.”, em outras palavras, Bento XVI pediu para que vivêssemos autenticamente aquilo que acreditamos.

A canonização de Frei Galvão

Na manha do dia 11 de maio, o catolicismo brasileiro viveu um momento singular: era canonizado o Frei Antonio de Sant’Anna Galvão, o primeiro santo genuinamente brasileiro.

Na sua homilia o Santo Padre partiu em defesa da fidelidade no matrimônio e da castidade dos jovens ao dizer que “O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitem ser consideradas criaturas objeto de prazer.” e atacou a mídia que tenta incutir no coração das pessoas a cultura hedonista: “É preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento”.

O ponto triste – mas incapaz de diminuir o resplendor do momento – foi ver uma parcela de pessoas portando cartazes do tipo “Sou católico e uso camisinha!”, como se essas duas realidades fossem compatíveis. Lendo tal cartaz, ecoava as palavras do profeta que dizia “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!” (Is V, 20)

“Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.” (LC XXIII, 34)

O encontro com o episcopado brasileiro na Catedral da Sé

Sobre o encontro com o episcopado brasileiro gostaria de recordar inicialmente, o trecho da Carta aos Hebreus com a qual o Santo Padre iniciou o seu discurso: “O Filho de Deus aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. Tendo chegado à perfeição, tornou-se causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (cf. Hb 5,8-9) se nossos reverendíssimos bispos forem bons entendedores o discurso do Papa poderia se resumir somente nesta passagem. Rogo a Deus para que nossos pastores reflitam profundamente sobre estas palavras.

E por falar em obediência, Bento XVI recordou aos bispos brasileiros que ““A liturgia jamais é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios" (João Paulo II, Carta encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 52). Redescobrir e valorizar a obediência às normas litúrgicas por parte dos Bispos, como "moderadores da vida litúrgica da Igreja", significa testemunhar a própria Igreja, una e universal que preside na caridade.” Ao testemunhar uma centena de abusos litúrgicos que não cansam de ocorrer, chego à conclusão de que a encíclica de João Paulo II não foi lida e que o Papa Ratzinger foi ignorado.

O Papa recordou nossos bispos que “a Igreja é santa e incorruptível (cf. Ef 5,27). Dizia Santo Agostinho: "Vacilará a Igreja se vacila o seu fundamento, mas poderá talvez Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá intacta até o fim dos tempos".

Mais um recado claro: Quem permanece com a Igreja não erra!

Na Fazenda da Esperança...

O Santo Padre entrava no quarto dia de visita ao Brasil e o que ocorreu na Fazenda da Esperança foi algo realmente sublime. Bento XVI foi recebido com grande festa e o clima fez com que Papa se sentisse entre amigos e a visita do Sucessor de Pedro era como que um presente de Deus àqueles que venceram o combate contra a dependência química e um verdadeiro incentivo àqueles que ainda lutavam.

O Papa alemão deu seu recado àqueles que promovem a dependência química entre os jovens: “Por isso, digo aos que comercializam a droga que pensem no mal que estão provocando a uma multidão de jovens e de adultos de todos os segmentos da sociedade: Deus vai-lhes exigir satisfações. A dignidade humana não pode ser espezinhada desta maneira.”

Ao final do encontro uma cena inesquecível: O Santo Padre quebrou o protocolo e foi ao encontro das crianças e dos jovens que o envolveram em um abraço caloroso. Era a típica cena do pai que chega a casa e é abraçado pelos filhos que estavam a sua espera.

O Santo Terço em Aparecida

Encerrando o quarto dia da visita, o Santo Padre rezou o terço na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. O Pontífice Romano já estava em casa e suas palavras eram cada vez mais afetuosas. O discurso do Papa era cheio de gratidão e a multidão não perdia nenhuma oportunidade de demonstrar a Bento XVI o quanto ele era amado. Ele estava tão emocionado com o calor do povo que em dado momento de seu discurso não conseguiu conter a alegria e soltou uma deliciosa gargalhada.

Na casa da Mãe o Papa recordou os filhos: “Maria Santíssima, a Virgem Pura e sem Mancha é para nós escola de fé destinada a conduzir-nos e a fortalecer-nos no caminho que leva ao encontro com o Criador do Céu e da Terra.” E nos exortou dizendo: ”Permanecei na escola de Maria".

Santa Missa de abertura da V Celam

“A Igreja não faz proselitismo. Ela cresce muito mais por “atração”: como Cristo “atrai todos a si” com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da Cruz, assim a Igreja cumpre a sua missão na medida em que, associada a Cristo, cumpre a sua obra conformando-se em espírito e concretamente com a caridade do seu Senhor.”

Fantástico!! Preciso comentar alguma coisa?

O Papa foi embora. Quando o avião decolou eu me senti “órfão”.

O povo nas ruas, os jovens no Pacaembu, os fiéis em Aparecida e no Campo de Marte e os assistidos na Fazenda da Esperança, dão testemunho de que Bento XVI é um pai amoroso, um pastor zeloso que cuida do seu rebanho.

Muitos ainda tentaram tirar o brilho de suas palavras e de seus gestos, mas sem obter sucesso. Não havia nada capaz de tornar sombrio aquele homem que reluzia – e ainda hoje reluz – amor e Verdade.

Sou grato a Deus por ter presenciado este momento. Sou grato por sentir a alegria que vem de Deus nas palavras do sucessor de São Pedro. As palavras de Bento XVI aumentaram ainda mais o amor que sentia por ele e me impulsionaram ainda mais a frente na busca incessante pela perfeição.

Claro que não falo da perfeição que ostenta e envaidece, mas me refiro à perfeição que é fruto da humildade, da obediência, do desprendimento de si e do serviço ao próximo.

Que as palavras do Santo Padre – que você pode recordar na integra clicando aqui - sejam para nós como um propulsor, que busquemos ir à diante, sem temer, pois Cristo estará conosco até o fim dos tempos.

Salve Santo Padre, “o doce Cristo na terra”!

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

sábado, 19 de abril de 2008

Lembranças do meu primeiro Conclave

Saudações,

Passado o « Novendiali » – período de nove dias após o sepultamento do Sumo Pontífice em que a Igreja reza e celebra Santas Missas em sufrágio de sua alma – a Igreja estava preparada para escrever mais uma página de sua história. A tristeza pela morte de João Paulo II deu lugar à expectativa de um conclave após 26 anos. Para mim, a eleição do sucessor de São Pedro era um fato inédito e eu me encantava – e amava ainda mais – com todos os acontecimentos que compunham esse processo de morte e sucessão papal, ao mesmo tempo em que a sé vacante me conduzia a uma profunda reflexão sobre a importância de ser ter um pastor.

Da entrada dos cardeais na Capela Sistina eu não tenho uma recordação muito clara, mas me recordo muito bem das palavras do Cardeal Joseph Ratzinger na homilia da Missa « Pro Eligendo Pontífice » em que o combatia duramente a filosofia relativista que devastava – e continua a devastar – a mente humana.

Dizia o Cardeal Ratzinger que “A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao coletivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar "aqui e além por qualquer vento de doutrina", aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.” . Essas palavras eram, para mim, o Espírito Santo indicando aos cardeais quem deveria ocupar o Trono Petrino e conduzir o rebanho do Senhor no inicio do novo milênio.

O primeiro conclave do século XXI teve inicio em 18 de abril, mas o Espírito Santo decidira anunciar sua decisão somente no dia seguinte. E foi no dia 19 de abril de 2005, após quatro escrutínios que a « fumata » branca, juntamente com o badalar dos sinos da Basílica de São Pedro avisavam ao mundo que tínhamos um novo Sumo Pontífice.

« Annuntio vobis gaudium magnum; habemus Papam » – Anuncio-vos com a maior alegria, temos o papa! Quando o Cardeal Medina Esteves anunciou essa grande noticia, era notável em seus olhos uma profunda emoção. E quando o nome do Cardeal Joseph Ratzinger foi anunciado como sendo ele o novo Papa, a alegria tomou conta da multidão que se aglomerava na Praça de São Pedro e de todo o orbe católico!

Ao surgir na sacada da Basílica de São Pedro, o Cardeal Ratzinger era, a partir de então, Bento XVI. Um sorriso tímido, cheio de amabilidade e as mãos estendidas para sutis acenos – que se tornaram gestos característicos do Papa alemão – cumprimentavam o povo que o esperava, ao mesmo tempo em que revelava ao mundo a verdadeira face do novo Pontífice Romano. Em suas primeiras palavras, quem esperava por um discurso enérgico e em tom de guerra, ouviu o Papa dizer que era um “simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor.” que era consolado ao “saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes.”

E em toda sua insuficiência, o Senhor realmente trabalhou – trabalha e trabalhará – de modo tão intenso e significativo que seu pontificado, embora curto, já deixou profundas marcas nas almas dos fiéis católicos e surpreendeu o mundo de um modo geral.

No mês de maio, recordaremos com muita alegria o primeiro aniversário de sua vinda ao Brasil.

Rezemos todos juntos neste aniversário de pontificado. Que rendamos louvores a Deus, que o agradeçamos por termos um pastor que cuida tão bem de seu rebanho. E não deixemos de rogar a Deus que, conforme sua Vontade Santíssima, conceda VIDA LONGA AO SANTO PADRE!

Fiquem com Deus!

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Morre Dom Estevão Bettencourt, OSB


Dom Estevão Tavares Bettencourt, OSB
* 19/09/1919
† 14/04/2008

FACULDADE DE SÃO BENTO DO RIO DE JANEIRO
Rua D. Gerardo, 68 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Telefone/fax: (21) 2206-8100 – Ramal 8281/8310
Home page: www.faculdadesaobento.org.br




Rio de Janeiro, 14 de abril de 2008


Aos professores, alunos, formadores e auxiliares

Ocorreu hoje, pela manhã, o falecimento do nosso confrade D. Estêvão Tavares Bettencourt, cuja vida foi totalmente dedicada ao serviço da Igreja. Esteve por longos anos como professor da nossa Faculdade, onde lecionou as mais variadas disciplinas. No campo acadêmico desenvolveu inúmeros trabalhos na Universidade Santa Úrsula, Seminário São José e também junto a Escola “Mater Ecclesiae”. Publicou muitos trabalhos a nível catequético e pastoral, com especial destaque pela Revista “Pergunte e Responderemos”, por ele fundada. Procurou comunicar sempre aos seus leitores o amor à Igreja, assim como a paixão pelas verdades cristãs mais sentidas, ou às vezes mais contestadas, pelo homem do terceiro milênio: a defesa e o amor pela vida. Homem de fé, dedicou-se sempre ao anúncio da palavra de Deus, pela pregação, pelos artigos e pelos livros escritos. Irmão e amigo, sabia ouvir e aconselhar com o dom do discernimento e à luz de um profundo amor à Igreja. Sabia com devoção inflamar a todos com suas palavras, e que manifestavam seu amor a Jesus Cristo, seu zelo pelo Reino de Deus e a sua particular confiança em Nossa Senhora.

Nos últimos tempos a sua saúde estava enfraquecida, mas mesmo assim, era assídua a sua presença na Santa Missa e nos Ofícios Divinos, dando-nos exemplo de virtude e santidade. Aos 87 anos de idade, Deus chamou esse servo bom e fiel para receber o prêmio de sua dedicação. Nestes tempos difíceis da história, certamente há de interceder por nós, manifestando ainda mais seu zelo e solicitude.

Possamos invocar da misericórdia divina a merecida paz em Cristo, pelos seus compromissos como sacerdote zeloso, monge sábio e servidor fiel da Igreja. O seu sepultamento será hoje, no claustro do mosteiro, após a Celebração das Exéquias, na Igreja Abacial, que terá início às 16 horas. Para que todos possam participar deste momento de reverência e oração, comunico que encerraremos as nossas atividades às 15h50min.


Muito fraternalmente,


D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB

Diretor

***

O blog Ecclesia Sancta, manifesta o seu pesar frente à noticia do falecimento deste baluarte da doutrina católica. Durante toda sua vida, Dom Estevão defendeu a Verdade de forma incansável, num verdadeiro ato de amor filial à Santa Igreja de Cristo.

Perde-se um mestre, ganha-se um santo!

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

terça-feira, 1 de abril de 2008

João Paulo II: Cruzando o limiar da Lembrança

Saudações,

Lembro-me bem daquele inicio de noite. Era dia 02 de abril de 2005 e eu estava com minha noiva – nos casaríamos em junho do mesmo ano – em uma floricultura, quando o esposo da vendedora deu a notícia que esperava por dois dias: João Paulo II morreu!

É estranho escrever – e ler – que esperava a passagem do Papa. Não sei se é necessário explicar, mas embora esperasse, não desejava que o Papa de toda minha vida – pois aos 25 anos de idade não havia conhecido outro sucessor de Pedro – morresse. Mas mediante a realidade dos fatos, a partida do Santo Padre era iminente. As notícias vindas da Roma Eterna eram cada vez mais desanimadoras... De Roma, o anúncio que se plasmava era de que o calvário de João Paulo II , que começamos a acompanhar desde o atentado que sofrera em 13 de maio de 1981, estava chegando ao fim.

A minha espera então, era na verdade esperança. Era a alegria de ver o Papa recebendo a coroa da justiça após completar a corrida. Era a comprovação de que combater o bom combate não nos levará a outro resultado senão a vitória.

Ao ouvir a noticia do falecimento de João Paulo II, recordava as palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus, que prestes a contemplar a face do Senhor disse: “Não morro, entro na vida!”. Daquele momento em diante, eu – e muitos católicos espalhados pelo mundo – estávamos impregnados pela certeza de que havia algo de muito concreto no anúncio do Cardeal Leonardo Sandri: “O Papa João Paulo II retornou à casa do Pai.”

Me recordo do silêncio e das palmas que se sucederam... O silêncio era o povo a contemplar a caminhada do Papa aos céus e as palmas festejavam o encontro entre ele e Nosso Senhor Jesus Cristo, que com o rosto revestido de glória dizia: “Karol, tu me amaste verdadeiramente. Cuidaste de minhas ovelhas. Servo bom e fiel, entra no gozo do seu Senhor!

A morte de Karol Wojtyla provocou uma manifestação pública nunca testemunhada pela humanidade. Pessoas do todos os lugares, adeptos de diversas crenças religiosas, chefes de Estado, amigos e inimigos peregrinaram para ver o Santo Padre em seu mais justo repouso. Um momento singular se deu quando o presidente dos Estados Unidos George W. Bush e seu pai, protestantes declarados, se ajoelharam diante do cadáver de João Paulo II para lhe prestarem a devida reverência: “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.” (Jo XII,32)

Para mim, o pontificado de João Paulo II – o terceiro mais longo de toda a história da Santa Igreja de Cristo - foi um verdadeiro ensinamento. Foram 26 anos fazendo de sua vida uma verdadeira catequese.

No inicio aquele Papa de postura ereta e de caminhar firme me ensinou que só se chega a Cristo de cabeça erguida e com constância na caminhada. No atentado que sofreu aprendi que se perseguiram o Mestre, farão o mesmo com seus servos. No encontro com Mehmet Ali Agca – o homem que tentou tirar sua vida com dois tiros, o Papa ensinou que quem realmente ama a Cristo perdoa sem limites qualquer ofensa. No seu corpo curvado pelo tempo e pelos problemas de saúde e na sua voz cansada, me mostrou que só se chega a Cristo abraçando a Cruz.

Mas apesar de todos esses ensinamentos, nada se comparava ao seu olhar. Sempre que fitava João Paulo II nos olhos, ainda que através de uma fotografia, tinha a certeza de que o céu que me espera tem brilho e cor.

Após três anos de sua morte, em meu coração dois sentimentos crescem a cada dia: Amor e Saudade.

Servo de Deus João Paulo II, rogai por nós!

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

sexta-feira, 28 de março de 2008

Saúde no Brasil: a realidade mudando uma letra


Saudações,

Não se trata de uma reflexão espiritual, nem de um estudo bíblico e muito menos de uma explanação sobre um ponto “complicado” da Doutrina da Santa Igreja. Mas frente à realidade que se plasma no cotidiano do brasileiro, sinto-me obrigado a falar sobre o modo como o governo trata – ou destrata – a vida humana.

Por dias, ao acompanhar o noticiário, venho me perguntando “O que tem permitido que tantos cidadãos inocentes tenham o fim de suas vidas antecipado por motivos tão imbecis?”. Tornou-se comum sabermos – quando a notícia não é omitida – que alguém entrou em algum hospital da rede pública de saúde – que faria mais jus se se chamasse rede pública de doença – com uma simples – simples mesmo!! – dor de cabeça e saiu de lá morto. Este é só um dentre muitos exemplos que poderia colocar aqui, mas não tenho intenção de fazer do meu blog uma versão high-tech de Faces da Morte.

Mas duas realidades bem próximas de nós foram determinantes para que eu chegasse a uma conclusão a respeito do respeito (ou desrespeito) que a vida tem recebido nesse país:

A primeira delas é o estrago que um mosquito tem causado à população brasileira. Só neste ano – até a data de hoje – e só no estado do Rio de Janeiro a dengue já vitimou 51 pessoas, sendo que a maioria são crianças entre 3 e 12 anos de idade. Por mais lúcida que seja, é difícil para uma mente conceber a idéia de que podemos ter a nossa vida, ou a de nossos filhos ceifada com o auxílio de um mosquito. Ao mesmo tempo, causa revolta ver as autoridades inertes, apenas dizendo à população “Acabem com os focos do mosquito!”

Tenho absoluta certeza de que o povo tem feito a sua parte e, mesmo de mãos atadas, tenta acabar com o foco. Mas aqueles que deveriam agir de forma mais contundente e eficaz tem seu foco apontado para o outro lado.

Mas a segunda realidade - que é o verdadeiro foco do governo - clareia, ainda que de forma sombria, a nossa mente e nos mostra a face dos governantes de nosso país: a cruzada que se promove e que direciona todos os seus esforços em favor de uma cultura de morte, onde embriões humanos (=vidas) são tratados como ratos de laboratório e o aborto é defendido com unhas e dentes como mera “questão de saúde pública”.

Essa cruzada em favor da morte deixa em evidência que o atual governo é nada mais nada menos do que uma facção criminosa que não suja suas mãos com sangue inocente – ou usa luvas vermelhas - e o mentor intelectual – Satanás – tem como maior aliado o partido do presidente.

E com relação à pasta da Saúde, chego à conclusão de que ela não é ocupada por um Ministro, mas sim por um Sinistro. Alguém que, nos tempos do nascimento do Menino Jesus, poderia tem feito com competência o papel de Herodes, assassinando santos inocentes.

E por falar em inocentes vejo que neste momento existem três grupos: as vidas indefesas de milhares de brasileirinhos que não terão a oportunidade de agradecer a Deus pelo dom da vida, as vítimas do descaso e das atrocidades do governo e do outro um pobre mosquito, que se tivesse consciência do mal que faz sua picada, deixaria de consumir o sangue que, com muito gosto, querem ver sujando o chão da Terra de Santa Cruz.

Senhor, tende piedade de nós!

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

sexta-feira, 14 de março de 2008

Médicos católicos preparam documento sobre métodos anticonceptivos

Revela o presidente da FIAMC, o doutor José María Simón Castellví

Por Inmaculada Alvarez

BARCELONA, quinta-feira, 13 de março de 2008 (http://www.zenit.org/).- A Federação Internacional de Médicos Católicos (FIAMC) está preparando um documento sobre o uso de métodos anticoncepcionais que será difundido em breve, provavelmente em Roma, por ocasião do quadragésimo aniversário da encíclica «Humanae Vitae», de Paulo VI.

O atual presidente de FIAMC, o doutor espanhol José Maria Simón Castellví, explicou a Zenit que «o documento está dirigido aos médicos, católicos ou não, que compartilham os princípios éticos e antropológicos da cultura da vida».

«Somos conscientes, como profissionais, da dificuldade de promover esta doutrina, e depois de quarenta anos aceitamos o desafio», reconhece.

«O tema do documento é a anticoncepção e a regulação da natalidade, porque não esquecemos que os meios aceitos pela Igreja, chamados “naturais” porque respeitam os ciclos naturais da mulher, não só servem para dar espaços entre os nascimentos mas também para buscá-los».

«A encíclica, portanto, não deve ser vista desde o ponto de vista exclusivamente negativo, como rechaço à anticoncepção», declara.

O doutor afirma que existem três tipos de pílula: a Ru-486, a do dia seguinte e a anticoncepcional.

«Sobre a primeira o juízo está claro, trata-se de uma combinação produzida para provocar uma morte, e nem sequer merece o nome de medicamento. A pílula do dia seguinte é um fármaco que, em 70% das vezes em que atua, o faz para eliminar um óvulo humano fecundado, e portanto é também abortiva. A pílula anticoncepcional tem outra avaliação porque não produz a morte do embrião. A avaliação não é positiva, mas não tem a mesma gravidade moral que as anteriores», declara.

«Como médico devo dizer que nenhum dos três tipos de pílulas é inofensivo para o organismo feminino, ao contrário. A Ru-486 pode chegar a produzir a morte; a pílula do dia seguinte tem também muitos efeitos colaterais», informa.

Com respeito à pílula anticoncepcional, indica, «o que produz é uma alteração hormonal para evitar a ovulação, e isto no longo prazo pode estar associado a fenômenos de trombose, hipertensão ou depressão».

«De todas as formas, o juízo moral negativo não se remete aos efeitos secundários, porque se no dia de amanhã se desenvover uma pílula em que eles não existam, o juízo continuará sendo negativo».

«No documento que estamos preparando, e que estamos fazendo com muito carinho – conclui –, se enfrentam muitas destas questões, porque entendemos que a responsabilidade não recai só sobre nossos pastores: sem a opinião qualificada dos médicos católicos, a questão da defesa da vida ficaria um pouco paralisada».

***

Saudações,

Eis uma iniciativa louvável! Bastou um "punhado" de gente de Cristo na medicina para que se escrevesse um documento mostrando com base em fundamentos médicos o quão nocivos para saúde da mulher são os ditos anticoncepcionais.

É claro que a máfia da pílula exerce uma grande pressão - pressão que volta como apoio - sobre o Ministério da "Saúde", que jamais levantará a voz para alertar as mulheres de que colocam suas vidas em risco.

Em contrapartida, não se cansam de clamar aos quatro ventos que fumar provoca isso, que fumar provoca aquilo... É claro que não estou me queixando sobre o fato de esclarecerem a população sobre os males do tabaco. Mas por que usar dois pesos e duas medidas?

Rogo a Deus que o teor desse documento seja largamente difundido - é quase uma utopia. Assim as mulheres saberão que tem toma pílulas para evitar a geração de novas vidas apressa seus passos rumo a doenças e rumo a morte.

Fiquem com Deus!

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

terça-feira, 11 de março de 2008

Colocando a casa em ordem

Amigos leitores,

Quando coloquei este blog no ar, tinha somente a intenção de expor meus pensamentos à luz dos ensinamentos da Igreja de Cristo. Com o passar dos dias e conforme postava novos textos percebi que criei um pequeno (mas valioso) grupo de fiéis leitores que diariamente acessam meu blog esperando por uma novidade, mas infelizmente saem frustrados.

Esse começo de ano foi cheio de novidades para mim e não consigo parar para refletir sobre assuntos do dia-a-dia que serveriam, com certeza, de inspiração para diversos textos. Mas saibam que estou antenado a tudo que acontece à nossa volta.

Peço a todos um pouco de paciência. Tenho rezado muito para ter as idéias clareadas para poder escrever algo que compense o período de espera e vossa frustração e conto com vossas orações.

Fiquem com Deus!

André Luís Brandão
† Pro Catholica Societate †

terça-feira, 4 de março de 2008

Nota da CNBB sobre as Católicas pelo Direito de Decidir

Têm chegado à sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – inúmeras consultas sobre a ONG denominada “Católicas pelo Direito de Decidir”, uma vez que em seus pronunciamentos há vários pontos contrários à doutrina e à moral católicas.

Esclarecemos que se trata de uma entidade feminista, constituída no Brasil em 1993, e que atua em articulação e rede com vários parceiros no Brasil e no mundo, em particular com uma organização norte-americana intitulada “Catholics for a Free Choice”. Sobre esta última, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já fez várias declarações, destacando que o grupo tem defendido publicamente o aborto e distorcido o ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devidos à vida do nascituro indefeso; é contrário a muitos ensinamentos do Magistério da Igreja; não é uma organização católica e não fala pela Igreja Católica[1]. Essas observações se aplicam, também, ao grupo que atua em nosso país.

A Campanha da Fraternidade deste ano de 2008 reafirma nosso compromisso com a vida, especialmente, com a vida do ser humano mais indefeso, que é a criança no ventre materno, e com a vida da própria gestante. Políticas públicas realmente voltadas à pessoa humana são as que procuram atender às necessidades da mulher grávida, dando-lhe condições para ter e a criar bem os seus filhos, e não para abortá-los.

“Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19). Ainda que em determinadas circunstâncias se trate de uma escolha difícil e exigente, reafirmamos ser a única escolha aceitável e digna para nós que somos filhos e filhas do Deus da Vida.

Conclamamos os católicos e a todas as pessoas de boa vontade a se unirem a nós na defesa e divulgação do Evangelho da Vida, atentos a todas as forças e expressões de uma cultura da morte que se expande sempre mais.

Brasília, 03 de março de 2008

[1] Cf. http://www.usccb.org/comm/archives/2000/00-123.htm

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Você também já foi um embrião!!!

Seja a voz daqueles que não tem voz!!

Acesse o link: http://www.petitiononline.com/vidasim/petition.html e assine!

Precisamos de no mínimo 50 mil assinaturas.

Santa Giana Beretta Molla, rogai por nós!